Projeto prevê cabo submarino de 80 quilômetros ligado ao Porto do Açu e deve começar a operar em 2028; iniciativa busca reduzir custos e emissões nas operações offshore

A Perenco Brasil anunciou um investimento estimado em US$ 110 milhões para eletrificar plataformas dos polos Pargo e Cherne, na Bacia de Campos. O projeto prevê levar energia do sistema elétrico nacional, a partir do continente, até as unidades offshore por meio do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.

A iniciativa foi formalizada na terça-feira (22), durante a ROG.e, com a assinatura de uma carta de intenções entre a Perenco e o Porto do Açu. A proposta é considerada pelas empresas o primeiro projeto de eletrificação offshore da Bacia de Campos.

Cabo submarino terá 80 quilômetros
O projeto prevê a construção de uma subestação terrestre dentro do complexo portuário e a instalação de um cabo submarino de aproximadamente 80 quilômetros até os polos Pargo e Cherne.
A energia será recebida do Sistema Interligado Nacional (SIN). Inicialmente, a estrutura deverá atender uma demanda de 35 megawatts, com possibilidade de expansão para até 60 MW em um período de quatro anos.

A conexão será feita na plataforma central do Polo Pargo, que poderá distribuir a eletricidade para outras unidades por meio da rede de interligação já existente entre as plataformas.

Obras devem começar em 2027

De acordo com as informações divulgadas pela companhia, a previsão é iniciar as obras no segundo trimestre de 2027, com entrada em funcionamento do sistema prevista para o primeiro trimestre de 2028. A Perenco já obteve parecer de acesso do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O Porto do Açu deverá disponibilizar a área para a construção da subestação e o direito de passagem necessário para a instalação do cabo submarino.

Menor dependência do gás

Atualmente, as plataformas da Perenco utilizam geradores próprios para produzir eletricidade, utilizando gás produzido nos campos e também volumes adquiridos da Petrobras. A empresa chega a comprar cerca de 2,5 milhões de pés cúbicos de gás por dia para essa finalidade.

Com a eletrificação, parte dessa geração será substituída pela energia proveniente da rede elétrica. A medida deverá reduzir a dependência da companhia em relação ao gás comprado para geração de energia e contribuir para a diminuição das emissões de carbono das operações.

A própria Perenco inclui a eletrificação entre as iniciativas de seu plano de transição energética e descarbonização.

Projeto acompanha retomada de Cherne
A eletrificação também está relacionada aos planos da Perenco para ampliar a utilização dos ativos da Bacia de Campos. O Polo Pargo atualmente produz cerca de 20 mil barris de óleo equivalente por dia, enquanto a empresa prepara a retomada da produção de Cherne, com expectativa de alcançar aproximadamente 15 mil barris de óleo equivalente por dia.

A companhia avalia manter suas operações na região até 2040 e estuda a possibilidade de estender esse horizonte para 2052, segundo executivos ouvidos pela Reuters.

O projeto reforça ainda o papel do Porto do Açu como infraestrutura de apoio a iniciativas de transição energética e descarbonização ligadas ao setor de petróleo e gás no Norte Fluminense.

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