Entendimento foi formalizado no TSE nesta quinta-feira (22) e prevê divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos e de pessoas ligadas a eles

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, chegaram a um acordo para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O entendimento foi formalizado nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após dias de negociações e cobranças públicas entre os dois lados.

A iniciativa ganhou força depois do debate presidencial realizado pela TV Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações financeiras e pessoais. A proposta passou a ocupar espaço central na reta final da campanha, a três dias da votação do segundo turno, marcado para domingo (25).

Acordo envolve familiares e empresas
Inicialmente, Lula apresentou à Justiça um pedido de abertura dos próprios sigilos, condicionado à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro. A proposta também contemplava familiares dos candidatos e empresas relacionadas a eles.

A campanha petista informou que estava disposta a ampliar o alcance da divulgação para atender às exigências apresentadas pela equipe do adversário. Entre os pontos discutidos estavam informações de familiares, registros de empresas, despesas da Presidência da República e dados de pessoas ligadas aos dois grupos políticos.

A equipe de Flávio apresentou uma contraproposta com 19 exigências. Um dos principais pontos de divergência envolveu a inclusão de informações de uma empresa relacionada ao advogado Willer Tomaz, citado em investigação que envolve o senador. A inclusão desse tema esteve entre os obstáculos para a conclusão do entendimento.

Documentos serão submetidos à Justiça

Representantes das duas campanhas compareceram ao TSE para tratar dos termos do acordo. Pelo lado de Lula, participaram integrantes da coordenação política do candidato. Flávio foi representado por sua equipe jurídica.

O entendimento prevê a disponibilização pública das informações, mas a efetivação da divulgação depende dos procedimentos judiciais e do cumprimento das condições estabelecidas. Por isso, o acordo não significa, por si só, que todos os dados já estejam disponíveis ao público.

Disputa pela transparência na reta final
A discussão sobre os sigilos se transformou em mais um capítulo do confronto entre os candidatos na reta final da eleição. As duas campanhas procuram demonstrar disposição para prestar esclarecimentos, ao mesmo tempo que cobram do adversário o cumprimento das mesmas condições.

A expectativa é que a divulgação das informações permita a análise de registros financeiros, fiscais e telefônicos incluídos no entendimento. O episódio ocorre em um momento decisivo da disputa, com os candidatos buscando influenciar a avaliação dos eleitores antes da votação de domingo.

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