Desembargadores do TJ-RJ anularam em maio deste ano, o júri popular do julgamento realizado em julho de 2021, alegando “comprometimento da imparcialidade dos jurados”
Foi remarcado para o dia 18 de novembro deste ano, o julgamento dos três acusados no caso do assassinato da universitária Ana Paula Ramos, à época a com 25 anos, em 2017, ocorrido na área de Guarus, em Campos dos Goytacazes, do Norte Fluminense. A informação é da Inter TV. Um quarto acusado já morreu em um acidente. Em 5 de maio deste ano, desembargadores da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) anularam o júri popular sob a alegação de “comprometimento da imparcialidade dos jurados durante o julgamento, realizado em julho de 2021”. Desde então, os três acusados pelo crime estão soltos.
A anulação resultou em grande comoção por todo o município, com manifestações nas redes sociais pedindo justiça. A decisão revoltou especialmente os familiares e amigos da universitária, chocados com o crime, ocorrido há 9 anos, durante uma emboscada na área de Guarus, onde a vítima morava.
Com a decisão dos desembargadores, um dos executores dos disparos, o intermediador e a mulher apontada como mandante do crime, que era “amiga da vítima”, foram colocados em liberdade aguardando a data do novo julgamento. Um dos executores morreu no acidente com uma motocicleta. À época da anulação, os desembargadores alegaram comprometimento da imparcialidade dos jurados.
De acordo com o processo, durante um intervalo da sessão, um dos jurados ouviu uma conversa entre dois réus, Igor Magalhães e Wermison Carlos Ribeiro, apontados como executores. Na ocasião, eles teriam feito referência ao intermediário do crime, Marcello Henrique Damasceno.
À época, o juiz responsável determinou que Marcello fosse julgado separadamente. Já Igor, Wermison e a mulher apontada como mandante, Luana Barreto de Sales, foram julgados juntos e condenados a penas que variaram entre 13 e 24 anos de prisão. Marcello foi julgado meses depois e também condenado.
Ainda em 2021, as defesas recorreram pedindo a anulação do julgamento, alegando prejuízo à imparcialidade dos jurados. O pedido foi então aceito pela Justiça. Os executores já cumpriam pena em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica. Um deles, Wermison, morreu em um acidente com uma motocicleta na Ponte da Lapa.
Relembre o caso
A universitária Ana Paula Silva Ramos, de 25 anos, foi baleada em agosto de 2017, no bairro Parque Rio Branco, em Guarus. Ela foi atingida na cabeça e no tórax, chegou a ser socorrida ao Hospital Ferreira Machado, mas teve morte cerebral confirmada dias depois.
Segundo a Polícia Militar, a vítima estava na Rua Comendador Pinto quando foi abordada por homens em uma bicicleta. Ainda de acordo com a corporação, ela entregou pertences, mas foi baleada.
As investigações da Polícia Civil apontaram que o crime foi uma emboscada planejada pela cunhada da vítima, que também seria madrinha de seu casamento. As duas se conheciam desde a infância e, no dia do crime, teriam combinado de sair juntas. O caso teve grande repercussão na cidade. Segundo a polícia, o grupo envolvido teria se reunido no dia anterior para planejar a ação.
Na época, Luana Barreto de Sales foi condenada a 24 anos de prisão em regime fechado. Igor Magalhães e Wermison Carlos Ribeiro receberam penas de 13 anos de reclusão. Já Marcello Henrique Damasceno, apontado como intermediário, foi condenado a 13 anos em regime fechado.
